A Cruzada Cordimariana

“Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna”.

(Eclo. 24, 31)

LOGO CRUZADAhttp://www.avecormariae.com/

Livro da Cruzada-Cordimariana

 

Deus o quer!

“Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado.
A quem a abraçar, prometo a salvação;
E estas almas serão amadas com predileção por Deus,
como flores colocadas por mim para adornar Seu trono”

(Nossa Senhora em Fátima)

Maria merece e o pede

Eis aí a tua Mãe” (Jo. 19, 27)

Fazei o que Ele vos disser” (Jo. 2, 5)

Nós precisamos

Salvai-nos, Senhor, que perecemos!” (Mt. 8, 25)

 

A mensagem de Fátima

          “A imagem de Nossa Senhora de Fátima recorda a última intervenção misericordiosa do Coração de Maria para salvar os homens e as nações”, dizia o Cardeal Cerejeira, Patriarca de Lisboa. E Pio XII acrescentava: “Passou a hora de discutir a realidade das aparições de Fátima. Já chegou o momento de aceitar os seus ensinamentos”.

Em Fátima a Virgem Maria falou ao mundo e nos revelou o seu Coração Doloroso e Imaculado como arca de salvação, refúgio e renovação das almas, como caminho seguro e simples para chegar a Deus nestes tempos de tanto perigo e desorientação, em troca tão somente, assim prometeu Nosso Senhor, de um amor sincero de entrega e de reparação pelas ofensas ao seu Coração.

A história de Fátima pode dividir-se em três capítulos, tão entrelaçados como vinculados entre si: as aparições do Anjo em 1916, as aparições da Virgem Maria desde maio até outubro de 1917, e algumas aparições complementares nas quais a Virgem vem realizar o que havia prometido no dia 13 de julho de 1917. Todo isso forma uma unidade perfeita, na qual não é possível separar umas coisas das outras, nem nos fatos, nem na mensagem.

A mensagem de Fátima se resume no Coração Imaculado de Maria, elemento central e onipresente nestas revelações.

Vejamos que graça e perfeição contém este Coração que Deus criou para a sua glória e para a nossa salvação.

O Coração de Maria e as revelações de Fátima

AS APARIÇÕES DO ANJO

Quando se sucederam os acontecimentos de 1917, Lúcia, de 10 anos, e seus primos Francisco e Jacinta, irmãos de 9 e 7 anos respectivamente, já guardavam um grande segredo: lhes tinha aparecido um Anjo e lhes tinha falado três vezes.

Na primeira aparição, ajoelhando-se e prostrando-se em terra, fez os meninos repetirem três vezes: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam” e lhes manifestou uma esplêndida promessa, vinculada aos Sagrados Corações: “Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”.

Na segunda aparição insistiu que os Sagrados Corações têm desígnios de misericórdia sobre aqueles pastorzinhos: “Orai, orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios”.

“Estas palavras do Anjo – disse Lúcia – gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício, e como Lhe era agradável, como, por atenção a ele, convertia os pecadores”.

E na terceira aparição o Anjo descobre todo o mistério de reparação que vai se desenvolver na mensagem de Fátima. Ajoelhando-se junto a eles, lhes faz repetir três vezes a seguinte oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

O Anjo de Fátima deixava desta maneira nos meninos um sentimento profundo da Majestade de Deus ofendida, um sentido de reparação e desejo veemente de sacrifício pelos pecadores, mostrava a íntima união dos Corações de Jesus e de Maria, e preparava a manifestação do Coração da Mãe de Deus.

AS APARIÇÕES MARIANAS

A 13 de maio de 1917, domingo, a Virgem Maria aparecia em Fátima, cerca do meio dia, aos três pastorzinhos. “Vimos sobre uma azinheira uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Depois de um breve diálogo, que poderíamos chamar de apresentação, a Virgem Maria desenvolve a sua mensagem: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”

– “Sim, queremos” – respondeu Lúcia em nome dos três.

– “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”.

“Foi ao pronunciar estas últimas palavras que abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos – é a irmã Lúcia quem descreve – uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que, penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazia-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos”.

13 DE JUNHO

Tinha passado um mês. O cenário era o mesmo e os personagens também.

Lúcia: “Queria pedir-Lhe para nos levar para o Céu”.

Nossa Senhora: “Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono”.

Lúcia: “Fico cá sozinha?”

Nossa Senhora: “Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”.

“Foi no momento que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

13 DE JULHO

Nossa Senhora: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

Lúcia: “Ao dizer estas últimas palavras abriu de novo as mãos como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados – semelhantes ao cair das fagulhas nos grandes incêndios – sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como a pedir socorro, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:”

Nossa Senhora: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-las, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz… Virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

Nesta terceira aparição, Nossa Senhora descobria todas as misteriosas intenções de Deus sobre o mundo, encerradas nele. É aqui onde o tema do Coração de Maria vai unido ao segredo de Fátima. Primeiro a visão do inferno, que não se tratava de assustar as pobres crianças, mas de destacar bem que atualmente a misericórdia do Senhor colocava de forma especial a salvação das almas na mediação do Coração de Maria. Depois o anúncio da paz, desde que “atenderem a meus pedidos”, quer dizer, se cumpríssemos a sua Vontade. De fato o texto acrescentava que a guerra, presente então, a de 1914-18, estava por acabar, mas que se não deixassem de ofender a Deus, logo começaria outra pior, na qual Deus ia castigar o mundo pelos seus crimes. A devoção ao Coração Imaculado de Maria estava destinada em parte a impedir a guerra de 1939-45. Não merecemos esta graça. Por isso o texto diz literalmente: “Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora”. A grande promessa de Pontevedra e Tuy não estava destinada unicamente a alcançar a salvação individual das almas, mas a uma ampla graça de paz e de conversão para todo o mundo.

NOSSA SENHORA VOLTOU

Nossa Senhora cumpriu a sua promessa de voltar para manifestar a sua vontade a Lúcia, e por ela a todos os homens. Duas coisas havia anunciado que viria pedir: a prática da comunhão reparadora dos primeiros sábados do mês e a consagração da Rússia ao seu Coração Imaculado.

Vejamos como e quando fez estes pedidos.

O Coração de Maria e os primeiros sábados

A GRANDE PROMESSA DO CORAÇÃO DE MARIA EM PONTEVEDRA

A primeira promessa Nossa Senhora cumpriu no dia 10 de dezembro de 1925. Irmã Lúcia, como postulante dorotéia, estava na sua cela quando lhe apareceu Nossa Senhora pondo-lhe uma mão sobre o ombro enquanto lhe mostrava na outra um coração cercado de espinhos. Ao lado de Nossa Senhora estava o Menino Jesus sobre uma nuvem luminosa, quem lhe disse: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”.

A Santíssima Virgem acrescentou: “Olha, minha filha, o meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem quinze minutos de companhia meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assisti-los na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”.

Existe algo essencial a todos estes elementos: a reparação cordimariana. Naturalmente que toda reparação do pecado vai dirigida a Deus Pai, por meio do Filho no Espírito Santo, mas o lugar singular que a Virgem Maria tem na obra da salvação faz que o pecado fira de modo especial o seu Coração.

EXPLICAÇÃO DAS CONDIÇÕES

  • confissão em espírito de reparação. Se não puder ser feita no primeiro sábado do mês, pode ser antecipada dentro dos oito dias. Inclusive poderia bastar a confissão mensal, que sempre deve ser feita com a intenção de reparar o Coração Imaculado de Maria.
  • comunhão reparadora. É o ato essencial desta devoção. Para compreender o seu sentido e o seu alcance, é preciso relacioná-la com a comunhão milagrosa do outono de 1916, orientada pelas palavras do Anjo a uma idéia reparadora, e com a comunhão das primeiras sextas-feiras de mês que pediu o Sagrado Coração em Paray-le-Monial.

Sobre a dificuldade pontual para cumprir com esta condição no sábado, Nosso Senhor respondeu à Irmã Lúcia na noite do 29 ao 30 de maio de 1930: “Será igualmente aceita a prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro sábado, quando os meus Sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas”.

Desse modo, não só a comunhão, mas também a reza do terço e a meditação sobre os mistérios podem ser feitos no Domingo, e por justos motivos que corresponde ao sacerdote julgar.

  • A oração do terço. A 13 de outubro de 1917, a Virgem Santíssima revelou que queria que Ela fosse invocada em Fátima sob o vocábulo “Nossa Senhora do Rosário”. Em cada uma das suas seis aparições pediu a reza cotidiana do terço. E tratando-se aqui de reparar as ofensas ao seu Coração Imaculado, esta é certamente a oração vocal que lhe é mais agradável.
  • Os quinze minutos de meditação. A Santíssima Virgem pede “quinze minutos de meditação sobre os quinze mistérios do Rosário”. Não é indispensável meditar cada mês sobre os quinze mistérios. Ao padre Gonçalves, seu diretor, Irmã Lúcia escreveu: “trata-se de acompanhar durante quinze minutos a Nossa Senhora meditando os mistérios do Rosário”. A vidente afirmava no dia 3 de dezembro de 1939, em outra carta ao seu confessor, o seguinte: “Diz o Sr. Bispo (de Leiria) que a meditação se pode fazer durante a reza do terço. Diz Sua Excelência que o faz assim para facilitar ao povo a prática dessa devoção, já que ordinariamente este não está habituado a meditar; que assim como a Santa Igreja permite que durante a Missa se rezem várias orações que são de obrigação, como a penitência da confissão, etc., e se cumpre o preceito, assim também neste caso. Contudo, será mais perfeito que quem puder faça cada coisa por separado”.
  • intenção reparadora. Sem esta intenção geral, sem esta vontade de amor que deseja reparar e consolar a Santíssima Virgem, sem esta “compaixão”, todas estas práticas seriam incompletas. Trata-se de consolar o Coração Doloroso e Imaculado da Nossa Mãe. Ainda aqui não se trata em primeiro lugar de consolar a Virgem Maria compadecendo-se do seu Coração transpassado por causa dos sofrimentos do seu Filho, mas o sentido preciso desta devoção reparadora considera as ofensas que atualmente recebe o Coração Imaculado de Maria por parte dos que rejeitam a sua mediação materna e menosprezam as suas prerrogativas. São estes outros tantos espinhos que devemos arrancar do seu Coração por estas práticas de reparação, para consolá-la e obter assim o perdão para as almas que o ofendem tão gravemente.

POR QUE CINCO SÁBADOS?

“Ficando na capela, com Nosso Senhor, parte da noite do dia 29 para 30 do mês de Maio, 1930, e falando a Nosso Senhor desta questão, senti-me, de repente, possuída mais intimamente da divina Presença; e, se me não engano, foi-me revelado o seguinte: “Minha filha, o motivo é simples: São 5 as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria.”

1° As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;

2° Contra a sua Virgindade;

3° Contra a maternidade divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;

4° Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;

5° Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens.

Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação”.

O SAGRADO CORAÇÃO E O CORAÇÃO DE MARIA

A ninguém se pode ocultar a semelhança desta promessa da Santíssima Virgem à Irmã Lúcia, sobre os cinco sábados do mês, com a que fez Nosso Senhor a Santa Margarida Maria de Alacoque, sobre as nove primeiras sextas-feiras.

É interessante a opinião do então cardeal Cerejeira, Patriarca-Arcebispo de Lisboa, que seguiu tão de perto esta questão: “Fátima será para o culto do Coração de Maria o que Paray-le-Monial foi para o culto do Coração de Jesus. Fátima, de algum modo, é a continuação, ou melhor, a conclusão de Paray-le-Monial; reúne aqueles dois Corações que Deus mesmo uniu na obra da Redenção dos homens […] A prática dos cinco primeiros sábados se converte em um exercício de interioridade cristã que renova e purifica todas as devoções marianas, preparando-as para render um culto “em espírito e verdade” ao Sagrado Coração de Jesus”.

Em realidade, data de mais de dois séculos a dedicação dos sábados à Santíssima Virgem e em particular ao seu Coração Imaculado, dedicando-lhe diversos atos em seu desagravo. Agora se trata somente de corroborar por parte de Nossa Senhora esta prática, vinculando a ela a promessa da perseverança final mediante diversas condições fáceis de cumprir.

O Coração de Maria e Rússia

RÚSSIA NA MENSAGEM DE FÁTIMA

Respeito à consagração da Rússia à Mãe de Deus voltou a ser pedido no momento da grande visão trinitária acontecida em Tuy, no dia 13 de junho de 1929. Estando Irmã Lúcia de Jesus na capela das Irmãs Dorotéias, lhe apareceu Nossa Senhora: “É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora”. E a Irmã Lúcia acrescenta: “Mais tarde, por meio de uma comunicação íntima, Nossa Senhora me disse, queixando-se: “Não quiseram atender ao meu pedido. Como o Rei de França, arrepender-se-ão e fa-lo-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer”.

Assim como Cristo exigiu através de Santa Margarida Maria Alacoque a consagração da França, assim também nos nossos dias o Céu pediu a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Por que a Virgem Maria cita a Rússia? Não há outros países tão pecadores e culpáveis como a Rússia? Quando os videntes ouvem, em julho de 1917, a palavra Rússia, não sabem de que se trata. É para eles simplesmente símbolo de algo maligno que combate contra Deus, o Papa, a Igreja, e que causa males sem número. Na mensagem de Fátima, Rússia significa algo religioso, ou melhor, anti-religioso, que se concretiza no comunismo ateu e marxista, que declarou oficialmente guerra a Deus e à Igreja, e que se prolonga no ateísmo materialista e na divinização humanista que hoje reina no mundo. Se Fátima fala da Rússia não é mais que para pedir uma consagração, pressuposto necessário para a sua conversão.

Mas por desgraça nenhum Papa cumpriu ainda a consagração da Rússia tal como a pede Nossa Senhora. E, no entanto, o Céu vinculou graças decisivas para a Igreja e para o mundo ao cumprimento deste pedido. Deve entender-se também, reciprocamente, que, se não a cumprem, sobrevirão catástrofes sobre o mundo, pelo simples fato de que Deus deixa a humanidade sem socorro, abandonada a si mesma.

POR QUE DEUS FAZ DEPENDER A SALVAÇÃO DO MUNDO DE UM ATO TÃO SIMPLES E EM APARÊNCIA INSIGNIFICANTE?

A insignificância da consagração deve pôr de manifesto a eficácia de Maria na conversão realizada. Desde o ponto de vista humano o ato que Deus pede para a conversão da Rússia não tem proporção alguma com o efeito prometido. No entanto, será precisamente isto o que, diante de todos os homens, mostrará a grande conversão como um fato sobrenatural. Além disso, como a consagração, segundo o pedido de Maria, deve ter um caráter público e mundial, também o conhecimento dessa conversão será acessível a todos os homens. Precisamente por esta falta aparente de proporção, o grande papel de Maria como Medianeira de todas as graças brilhará diante dos homens na sua plena grandeza, como também se porá de manifesto a sua vitória sobre o demônio.

Por que a Santa Sé não cumpre com os seus desejos? A Irmã Lúcia atribuía a uma permissão divina inescrutável. E quando lhe perguntaram porque Deus não convertia a Rússia sem necessidade de recorrer a este meio, respondeu com uma comunicação recebida do Senhor: “Porque quero que toda a minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o seu culto e pôr, ao lado do meu Divino Coração, a devoção deste Imaculado Coração”.

A conversão da Rússia, no entanto, não deve ser pensada como produzida mecanicamente por uma fórmula, recitada um dia pelo Papa em união com os Bispos de todo o mundo. Isto exige necessariamente a cooperação humana: uma intensa difusão da devoção ao Coração de Maria, como grande intercessora neste grave problema, para que seja a Virgem Maria, com o seu Coração Imaculado, quem venha a ser o grande suplemento em todas as deficiências da humanidade e da Igreja. “Rússia – dizia a Irmã Lúcia – está entregue a esse Coração Imaculado”. A conversão da Rússia é uma graça tão grande para a humanidade dos nossos dias que deve ser merecida com a nossa própria conversão.

O Coração de Maria e a Igreja

A conversão da Rússia não somente se encaminha à conversão deste povo, senão que, apesar da sua modesta aparência, será um verdadeiro meio de cura para a crise interna da Igreja, que é uma crise de Fé.

Na aparição de julho, a Virgem Maria tinha anunciado: “se não, [Rússia] espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer…”. Na terceira parte do segredo faz-se menção a essa perseguição: “Vimos numa luz imensa que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante, um Bispo vestido de Branco (tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre), vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás  outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal na mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus”.

Deus se serviu freqüentemente das perseguições para purificar a Igreja e renová-la: o sangue dos mártires é semente de cristãos. Mas não esqueçamos que diante dos sofrimentos que seus filhos terão que suportar, Maria nos dá o seu Coração como lugar de refúgio.

Jacinta foi talvez a que melhor compreendeu a relação que tinha a devoção ao Coração de Maria com o amor à Igreja e ao Santo Padre: “Em Jacinta se enraizou tanto amor pelo Santo Padre, que sempre oferecia um sacrifício a Jesus acrescentando: “É pelo Santo Padre”. A ele corresponde realizar esses desejos do Céu e ninguém mais pode substituí-lo. Irmã Lúcia, numa carta ao seu diretor espiritual, Padre Gonçalves, precisava: “Deus promete pôr fim à perseguição na Rússia se o Santo Padre se digna fazer, e ordena fazer igualmente aos bispos do mundo católico, um ato solene e público de reparação e de consagração aos Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria, e se Sua Santidade promete, mediante o fim desta perseguição, aprovar e recomendar a prática da devoção reparadora indicada mais acima”. A conclusão é simples: Deus quer salvar o mundo de hoje por meio de um verdadeiro ato de Fé da hierarquia católica.

A consagração da Rússia se converte desta maneira na solução para a restauração da fé católica na Igreja e no mundo. Os frutos provenientes de dita consagração serão magnificamente coroados pela intervenção da Virgem: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. A sua intervenção ficará patente: é uma graça que Deus pôs nas suas mãos, e somente por meio do seu Coração Imaculado a Igreja recuperará o seu esplendor. Por isso, apesar da profunda crise que estamos vivendo, conservamos uma esperança: o Coração de Maria.

A consagração ao Coração de Maria

Em Fátima propriamente não se pediu mais que a consagração da Rússia como um meio eficaz da sua conversão e da paz do mundo. Mas evidentemente que essa consagração deverá ser precedida de uma prática extensa e intensamente vivida de outras consagrações, pessoais e sociais. É mais: a consagração da Rússia não chegará provavelmente senão como um fruto dessa consagração da Igreja em todas as ordens.

O fundamente desta consagração é simplesmente o domínio ou realeza que Ela tem sobre nós. Nós nos consagramos ao Coração de Maria para reconhecer a posição de Maria na obra da salvação como Medianeira de todas as graças, para achar refúgio nEla pelo seu amor maternal, prometer viver como filhos seus fiéis e querer expiar e reparar os pecados pelos quais se ofende o seu Coração Imaculado e Doloroso. Pio XII concretizava o seu sentido na mensagem de rádio da Coroação da Virgem de Fátima no dia 13 de maio de 1946: “Vós, coroando a imagem de Nossa Senhora, assinastes, com o atestado de fé na sua realeza, o de uma submissão à sua autoridade, de uma correspondência filial e constante ao seu amor. Fizestes mais ainda: alistaste-vos Cruzados para a conquista ou reconquista do seu Reino, que é o Reino de Deus. Quer dizer: obrigastes-vos a trabalhar para que Ela seja amada, venerada, servida à volta de vós, na família, na sociedade do mundo”.

Pela consagração nos entregamos a Deus, por meio da Virgem Maria, e concretamente, por meio do Coração Imaculado e Doloroso de Maria. Esta doação, para ser perfeita, deve ser total, das nossas pessoas e nossas coisas, e para sempre. São Luis Maria Grignion de Montfort diz no seu ato de consagração: “Eu Vos escolho hoje, ó Maria, na presença de todos os bem-aventurados do Céu, por minha Mãe e Rainha; eu Vos entrego e consagro em toda submissão e amor o meu corpo e minha alma, minha liberdade, minha inteligência, memória e vontade, todas as minhas faculdades e sentidos, e todos os meus bens exteriores e até mesmo o valor das minhas boas ações passadas, presentes e futuras; eu me uno a Vós para Vos obedecer em tudo e deixar-me conduzir como uma criança; Vós podeis, pois, dispor de mim e de tudo o que me pertence segundo o vosso agrado, para a maior glória de Deus, no tempo da minha vida terrestre e por toda a eternidade. Amém”.

Não esqueçamos que o Coração de Maria é o Coração de uma Mãe, “é o Coração da melhor das Mães – dizia Irmã Lúcia – sempre vigiando atento pela última das suas filhas. Como esta certeza me alenta e conforta!” É o Coração de uma Virgem que nos manterá puros. É o Coração de uma Rainha que nos acolherá a todos debaixo do seu manto. É finalmente o Coração de uma mártir que nos dará a fortaleza para enfrentar a vida de hoje e avançar na virtude.

Entendida assim, a consagração a Maria é uma entrega confiante e definitiva de si mesmo à sua maternal proteção; uma súplica para que nos alcance da Divina Misericórdia graças especiais para a nossa própria santificação e que nos guie para que alcancemos o nosso fim último, a eterna bem-aventurança do Céu.

“Quero o que Vós quereis, lanço-me no vosso Coração abrasado de amor, divino modelo no qual devo formar-me e nele me escondo e me perco para rogar, obrar e sofrer sempre por Vós e convosco para a maior glória do vosso Divino Filho Jesus” (São Luis Maria Grignion de Montfort).

O Coração de Maria e a santidade

Em formas simples, a mensagem de Fátima nos descobre o mistério da graça, da habitação e da presença divina nas almas, que alcança não somente a vida cristã simples e fundamental, mas também os mais elevados graus de contemplação mística.

Não podemos esquecer que a vida espiritual dos videntes forma parte também dessa mensagem e que eles são um exemplo palpável do que se pode aprender como chegar até os mais altas cumes da santidade, abraçando e vivendo plenamente as indicações da Virgem Maria, posto que a fonte da alta vida da graça dos videntes deve ser buscada no Coração de Maria. Umas crianças do campo, sem passar ainda da infância, com uma instrução religiosa elementar, encontram-se repentinamente transformadas em almas com intuições maravilhosas sobre os dogmas da fé e sobre a prática da vida cristã nos seus graus mais altos de heroísmo, o qual não se pode explicar sem uma clara intervenção do sobrenatural.

São três os pontos nos quais podemos resumir a espiritualidade cordimariana segundo os testemunhos dos videntes.

  • O Coração de Maria é fonte de santificação e salvação. Jacinta, já próxima de voar ao Céu, encarrega a sua prima: “Dize a todos que Deus concede as suas graças por meio do Imaculado Coração de Maria; que peçam-nas a Ela”. Por sua parte, Francisco disse depois da segunda aparição: “Por que estava Nossa Senhora com um Coração na mão espargindo sobre o mundo essa luz tão grande, que é Deus?”, do qual se deduz que Deus – a luz – se comunicava a eles e ao mundo através do próprio Coração Imaculado.
  • A origem última desta eficácia santificadora que emana do Coração de Maria é Deus, que mora no Coração Imaculado; e é Deus, ou seja, a vida divina, o que Ela transmite às almas: “Ao pronunciar estas últimas palavras, abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que, penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazia-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente do que nos vemos no melhor dos espelhos”. Francisco, por sua parte, exclamava: “Esta gente fica tão contente só porque os demais lhes dizem que Nossa Senhora mandou rezar o Rosário… Que seria se soubessem que Ela nos mostrou a Deus no seu Coração Imaculado, nessa luz tão grande…!” Francisco era incapaz de traduzir as suas experiências: “Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como”; “O que mais me impressionou e absorveu era Deus, a Santíssima Trindade, nessa luz imensa que nos penetrava no mais íntimo da alma. Depois dizia: estávamos ardendo naquela luz e não nos queimávamos. Como é Deus? Não se pode dizer. Isso sim que ninguém pode dizer”.
  • O Coração de Maria é morada e refúgio para a alma, e caminho, em outras palavras, presença e ajuda ao longo da vida espiritual até os cumes mais altos: “O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus”. Lúcia comentaria mais tarde: “Foi ao dizer estas palavras quando abriu as mãos, fazendo penetrar no nosso peito o reflexo que delas expedia. E me parece que, neste dia, este reflexo teve como fim principal infundir em nós um conhecimento e um amor especial ao Imaculado Coração de Maria; assim como nas outras duas vezes o teve em relação com Deus e o mistério da Santíssima Trindade. Desde esse dia, sentimos no coração um amor mais ardente pelo Coração Imaculado de Maria”.

Através desta devoção ao Coração Imaculado de Maria, Francisco e Jacinta, no breve tempo que entre o começo das aparições e sua morte, chegaram a escalar os cumes mais altos e heróicos da perfeição cristã. Deus, poderíamos dizer, os fez santos queimando as etapas. Em particular os sofrimentos da última doença levaram a Francisco e a Jacinta a uma identificação perfeita com Cristo crucificado.

E essa mesma transformação é a que nós devemos pedir, descansando e apoiando-nos no Coração de Maria. Como Jacinta, devemos reparar o Coração de Maria, como Francisco consolá-lo, como Lúcia fazê-lo conhecer e amar.

O Coração de Maria e o espírito de reparação

Para um mundo que está perdendo o sentido do pecado, as mensagens de Fátima começam exigindo uma conversão do coração. O Anjo ensina as crianças a rezar com um sentido de reparação “pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não amam”. Ensina-lhes a oferecer orações e sacrifícios “pela conversão dos pecadores”. E lhes convida a gestos de penitência: ajoelhar-se, prostrar-se em terra, inclinar a cabeça até o chão.

A Virgem Maria, além de estabelecer a devoção ao seu Coração Imaculado, cujo fruto espontâneo é o amor, pediu com insistência a reparação pelos ultrajes cometidos contra o seu Coração Imaculado: “Quereis vos oferecer a Deus para fazer sacrifícios e aceitar voluntariamente todos os sofrimentos que Ele quiser vos enviar, em reparação de tantos pecados com que a divina Majestade é ofendida, para obter a conversão dos pecadores e em desagravo das blasfêmias e ultrajes feitos ao Imaculado Coração de Maria?” Seu ensinamento doutrinal é simples e direto, dirigido contra o pecado: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores”. As suas últimas palavras são: “Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

A forma de mortificação que os viventes praticaram continuamente compreende uma gama imensa de pequenas e grandes mortificações. Especialmente depois da visão do inferno estão sempre pendentes de qualquer ocasião de sacrifício para aproveitá-la: privavam-se da comida dando-a aos pobres ou às ovelhas, passavam de joelhos longos tempos com a cabeça tocando o chão rogando pelos pecadores, deixavam de beber quando era o mais intenso do verão, apesar do sol ardente e da nuvem de pó que o rebanho levantava; se aplicavam urtigas, dormiam sobre o chão, se privavam de toda classe de guloseimas, suportavam as contradições e os maus tratos com resignação e conformidade… Seu desejo de sacrifício lhes inspirou levar a cintura cingida com uma corda grossa e áspera de junco todo o dia e noite, até que Nossa Senhora teve que lhes dizer na aparição do 13 de setembro: “Deus está contente dos vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda posta. Levai-a só durante o dia”.

Lúcia se mostra especialmente impressionada pela tristeza da Santíssima Virgem em outubro: “Nesta aparição as palavras da Virgem que mais profundamente ficaram gravadas no coração foram aquelas com que Nossa Senhora a Mãe do Céu pedia que não ofendessem mais a Deus Nosso Senhor, que já estava demasiado ofendido. Que amoroso lamento e que suplica tão terna contêm! Quem dera ressoasse por todo o mundo e que todos os filhos da Mãe do Céu escutassem a sua voz!”. O mesmo acontece com Francisco, em quem causaram profunda impressão as palavras do Anjo na sua terceira aparição: “Consolai o vosso Deus”. “Enquanto a Jacinta parecia preocupada com o único pensamento de converter os pecadores e de preservar as almas do inferno. Ele [Francisco] tratava somente de pensar em consolar a Nosso Senhor e a Virgem, que lhe pareciam estar tão tristes”.

Como mortificação cristã fundamental, Fátima pôs de relevo a importância que tem a prática do dever cotidiano bem cumprido: “Deus se vai deixando aplacar. Mas se queixa amargamente e dolorosamente do número limitadíssimo das almas em graça dispostas a renunciar-se no que delas exige a observância da sua lei. Porque esta é a penitência que Deus pede agora: “o sacrifício que cada pessoa tem que se impor a si mesma para levar uma vida de justiça na observância da sua Lei. E, desta maneira, que se dê a conhecer com claridade este caminho às almas, porque muitas, julgando o sentido da palavra “penitência” por grandes austeridades e não sentindo força nem generosidade para elas, se desanimam e repousam numa vida de tibieza e de pecado”.

Para acompanhar com a oração a prática dos sacrifícios, a Virgem lhes ensina a que poderíamos chamar a “jaculatória reparadora de Fátima”: “Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

O Coração de Maria e o Santo Rosário

Com a devoção e consagração ao Coração de Maria, a oração do Santo Rosário mostra uma importância de primeiríssimo plano nas revelações de Fátima. O Terço é, sem dúvida, a prática mais insistentemente recomendada por Nossa Senhora em todas as aparições:

  • 13 de maio: “Rezem o Terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”.
  • 13 de junho: “Quero que… rezeis o Terço todos os dias”.
  • 13 de julho: “Quero que continuem a rezar o Terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer”. “Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem”.
  • 19 de agosto: “Quero que… continueis a rezar o Terço todos os dias”.
  • 13 de setembro: “Continuem a rezar o terço para alcançarem o fim da guerra”.
  • 13 de outubro: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias”.

Não se podia dar maior insistência na recomendação desta prática mariana que tantas bênçãos trouxe sempre à Santa Igreja e às famílias católicas, sobretudo a paz, a união e o espírito cristão de piedade, de esforço e de paciência.

Mas Nossa Senhora se dignou sinalar algumas características especiais para a sua oração:

  • Finalidade: a paz e a conversão dos pecadores. Assim indicam-no as referidas palavras da Virgem Maria e a oração que pediu para que intercalassem entre os mistérios de cada dezena.
  • Modoque se meditem os mistérios, condição precisa para merecer a grande promessa dos cinco sábados do mês.
  • Espírito: em reparação das ofensas que se fazem ao Coração Imaculado de Maria, segundo a mesma promessa sabatina.

Do conjunto da doutrina de Fátima se deduz que o caminho mais curto e mais eficaz para penetrar no amor e na devoção ao Coração da Virgem é a oração do santo Terço com a meditação dos mistérios e com este ânimo reparador cordimariano. Santo Antônio Maria Claret compreendeu as relações que existem entre o Terço e a devoção ao Coração de Maria: “Para chegar ao Coração de Maria, o caminho mais curto e seguro é o santíssimo Terço”.

Um exemplo concreto da eficácia do Terço o temos em Francisco. Quando Lúcia perguntou à Virgem se ele iria ao Céu, a Virgem lhe respondeu: “Francisco também irá para o Céu, mas antes tem que rezar muitos Terços”. Ele, feliz, manifestando como se sentia alegre pela promessa de ir ao Céu, cruzando as mãos sobre o peito dizia: “Ó minha Mãe, Terços rezo todos os que Vós queirais”. E desde então tomou o costume de separar-se de nós como passeando e, se alguma vez o chamava e lhe perguntava o que estava fazendo, levantava o braço e me mostrava o Terço. Se lhe dizia que viesse a brincar, que depois rezaríamos todos juntos, respondia: “Depois rezo também. Não lembras que Nossa Senhora disse que eu tinha que rezar muitos Terços?” O Terço foi para Francisco o meio de ganhar o Céu.

“Eu creio – afirmava Irmã Lúcia – que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo, pela origem e pela sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se não fosse assim, Nossa Senhora não teria recomendado com tanta insistência”.

O Coração de Maria e os Novíssimos

A mensagem de Fátima manifesta o que chamamos os “novíssimos” do homem. Amorte, por exemplo, se mostra como um fato inevitável, e as preocupações em torno a esta realidade adquiriam então uma gravidade especial em razão da guerra que causava tantas mortes: “Jacinta, em que pensas? E não poucas vezes respondia: “Nessa guerra que deve vir, em tanta gente que vai morrer e ir ao inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus não viria a guerra nem iriam ao inferno”.

O dogma do Purgatório nos é apresentado também de uma forma tremenda, no caso de uma tal Amélia: “Então me lembrei de perguntar por duas moças que tinham morrido fazia pouco tempo. Eram minhas amigas e iam à minha casa para aprender a ser tecelãs com a minha irmã maior:

– A Maria das Neves já está no Céu?

– Sim, está. (Parece-me que devia ter uns 17 anos)

– E a Amélia?

– Estará no Purgatório até o fim do mundo. (Parece-me que devia ter de 18 a 20 anos)”.

Mas se a morte e o Purgatório aparecem desta maneira tão viva nos relatos de Fátima, sem dúvida é o dogma do Inferno o que ocupa um lugar importante, especialmente nas experiências místicas dos videntes, e ainda de um modo mais impressionante na sensível alma de Jacinta: “Nossa Senhora nos mostrou como que um mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”.

As crianças tinham já recebido um primeiro ensino de Lúcia. Jacinta lhe pergunta: o que é o inferno? E Lúcia responde como pode:

“- É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim me explicava minha mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá sempre a arder.

– E nunca mais sai de lá?

– Não.

– E depois de muitos anos, muitos anos?!

– Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu nunca mais de lá sai. E quem vai pra o inferno também não.

– Não vês que são eternos, que nunca acabam?

Fizemos, então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade”.

Lúcia se perguntava: “Como é que Jacinta, tão pequena, se deixou possuir e chegou a compreender um espírito tão grande de mortificação e de penitência?” E achava a resposta assim: “Parece-me que foi, primeiro, por uma graça especial que Deus quis lhe conceder por meio do Imaculado Coração de Maria. Segundo, pondo seu olhar no inferno e na desgraça das almas que caem ali. Algumas pessoas, mesmo as piedosas, não querem falar às crianças sobre o inferno para não as assustar. Deus, no entanto, não duvidou em mostrá-lo a três crianças, e uma de apenas seis anos, ainda sabendo que se tinha de horrorizar tanto que quase ia morrer de susto”.

Mas não só o inferno: o Céu entra também na mensagem de Fátima com a alegria de uns simples e inocentes pedidos infantis. Nossa Senhora responde a Lúcia que lhe pergunta de onde vem: “Sou do Céu”. E já na primeira aparição a Virgem Maria promete o Céu aos seus pequenos interlocutores, depois das perguntas interessadas, mas simples, de Lúcia:

“- E eu também vou para o Céu?

– Sim, vais.

– E a Jacinta?

– Também.

– E o Francisco?

– Também, mas tem que rezar muitos Terços”.

Nas últimas despedidas entre Lúcia e seus primos se estabelece um emotivo diálogo: “Chegou, por fim, o dia de partir para Lisboa. A despedida cortava o coração. Permaneceu muito tempo abraçada ao meu pescoço e dizia, chorando: – Nunca mais nos tornaremos a ver! Reza muito por mim, até que eu vá para o Céu”. Francisco diz com toda a naturalidade: “vou para o Céu”. O mesmo dizia Jacinta: “Eu vou para o Céu”. E, apesar desta certeza da salvação, as crianças continuam a sua vida de fé e de esperança como se não tivessem recebido uma graça tão grande. Deste modo até parecia que o Céu estava ao alcance das mãos: as recomendações para o Céu eram feitas como se tratasse de uma região conhecida, onde moram familiares nossos: “Saudações a Nosso Senhor e a Nossa Senhora; e dizei-lhes que sofro tudo o que queiram pela conversão dos pecadores e em reparação do Coração Imaculado de Maria”.

A quem abraçar esta devoção, prometo a salvação

Acabamos de ver os principais pontos da mensagem de Fátima. Mas fica ainda outro ponto importante no ar: a propagação da devoção e da consagração ao Coração de Maria.

O lema das antigas cruzadas foi o de “Deus o quer”. E este mesmo é o lema lançado pela Virgem em Fátima, no dia 13 de junho, quando disse a Lúcia: “À Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. E no dia 13 de julho repetia: “Para salvar as almas dos pobres pecadores, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.

Estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria significa levar as pessoas a uma plena consagração de conversão, de doação, de íntima estima, de veneração e de amor. É, pois, neste espírito de consagração e conversão como Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

E essas palavras que a Virgem dirigia à Irmã Lúcia também a nós estão dirigidas; Deus quer servir-se de nós para dar a conhecer e amar o Coração de Maria.

Portanto, é vontade de Senhor e da Virgem que todos oremos, nos sacrifiquemos e trabalhemos por todos os meios possíveis para que se difunda esta devoção pelo mundo inteiro. A Cruzada que Deus nos pede hoje não foi convocada pelos reis santos ou homens poderosos, mas pela própria Rainha do Céu e da Terra que vem nos manifestar a vontade do seu Divino Filho.

Sabemos que Deus pôs esta devoção como condição para conceder-nos muitas graças e a paz no mundo. Por isso, esta Cruzada é mais urgente do que aquelas, mais necessárias, de muito maior transcendência e de uma amplitude universal. É a devoção específica para os nossos dias. Não se trata, pois, de uma nova devoção nem de acrescentar outra invocação, senão de purificar e alimentar nas nossas almas uma devoção à Santíssima Virgem mais verdadeira e profunda que nos levará, por fim, a identificar-nos em tudo com a Vontade de Deus como perfeitos cristãos, dóceis às exortações de Fátima.

Este pedido da Virgem fica exposto de modo magnífico nas palavras de despedida que Jacinta, pouco antes de ser levada ao hospital, disse à sua prima como testamento espiritual: “Já me falta pouco para ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no Mundo a devoção do Imaculado Coração de Maria. Quer for para dizeres isso, não te escondas. Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria; que lhas peçam a Ela; que o Coração de Jesus quer que, a Seu lado, se venere o Coração Imaculado de Maria; que peçam a paz ao Imaculado Coração de Maria, que Deus Lha entregou a Ela”.

Pelo Coração de Maria obteremos as graças, vitórias e triunfos. É nosso novo lábaro. E, assim como o imperador Constantino obteve a vitória pela Cruz de Cristo, Deus nos concederá a vitória hoje em dia através do Coração da sua Mãe: “In hoc signo vinces. Por este sinal vencerás”. Ele é a nossa esperança.

A Cruzada Cordimariana deseja responder ao pedido da Virgem: é um chamado urgente que quer despertar-nos da letargia, da indiferença à Vontade de Deus que nos foi manifestada em Fátima. A Cruzada é essencialmente um apostolado cordimariano, com o fim de difundir e estabelecer a devoção ao Coração de Maria. Todos estamos chamados a colaborar. Não há limite de idade nem de condição. Também as crianças podem e devem realizar este apostolado, posto que a mensagem é universal e engloba indistintamente a todos.

“Eu vim trazer fogo à terra; e que quero eu senão que ele se acenda?” (Luc. 12, 49). Se três crianças de pouca idade foram capazes de realizar esse apostolado, nós não seremos capazes de os imitar? Também nós podemos estender e estabelecer a devoção ao Coração Imaculado de Maria. Assim contribuiremos para que haja muitos filhos do Coração de Maria, para que se salvem muitas almas, para que se estabeleça a paz na Igreja e no mundo e chegue o Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Convite

Pio XII dizia: “Ofereço-vos uma verdadeira bandeira do cristianismo feito carne: o Coração Imaculado de Maria”. Se o leitor quer cumprir essa vontade do Senhor colaborando para a difusão da devoção ao Coração Imaculado de Maria, então:

  • Consagre-se à Virgem Maria: consagre a sua família, trabalhe para que outros se consagrem ao seu Coração, consagrem também as empresas, os colégios, as cidades e estados, os próprios países…
  • Difunda esta devoção: peça-nos folhetos difusão e santinhos para dar a conhecer esta Cruzada, e levar assim mais almas ao Coração de Maria.
  • Inscreva-se na Cruzada Cordimariana: se deseja comprometer-se com maior empenho. Envie o seu nome ao endereço da Cruzada Cordimariana, pedindo a inscrição como Cruzado. Desta maneira, o leitor ficará inscrito, comprometendo-se a ser um apóstolo do Coração de Maria:

      – consagrando-se ao seu Coração Imaculado;

      – rezando diariamente o santo Terço;

      – praticando e promovendo a devoção dos primeiros sábados;

      – reparando com orações e sacrifícios;

      – consolando o Coração Doloroso de Maria e

      – propagando a devoção ao seu Coração Doloroso e Imaculado.

Tenha a certeza de que colaborar nesta Cruzada é a maneira mais eficaz de responder à Mensagem de Fátima, pelo bem das almas, da Igreja e do mundo.

Deus o quer!

Maria o pede e merece!

Nós precisamos!

Conclusão

Terminamos com estas palavras de Pio XII: “A fim de que a devoção ao Coração augustíssimo de Jesus produza mais abundantes frutos na família cristã, e mesmo em toda a humanidade, que os fiéis busquem unir a ela estreitamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus. Foi vontade de Deus que na obra da Redenção humana, a Santíssima Virgem estivesse inseparavelmente unida com Jesus Cristo; tanto, que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram associados intimamente o amor e as dores da sua Mãe. Por isso, convém que o povo católico, que recebeu a vida divina de Jesus Cristo por meio de Maria, depois de ter dado ao Sagrado Coração de Jesus o culto devido, preste também ao amantíssimo Coração da sua Mãe celestial os correspondentes obséquios de piedade, amor, agradecimento e reparação”.

Não esqueçamos: Deus quer se servir de nós para dar a conhecer e amar o Coração Imaculado de Maria ao mundo. Ele será o seu refúgio e o caminho que o levará até Deus.

 Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará

***

 

Fórmulas de Consagração

Consagração individual

Preparação:

  • Reze a novena, que terminará no mesmo dia da consagração.
  • Procure confessar-se nesses dias.
  • Assista à Missa e comungue no mesmo dia da consagração.

É muito importante renovar o propósito de cumprir os desejos da Virgem Maria:

  • Rezar o Terço diariamente.
  • Praticar os primeiros sábados.
  • Reparar pelas blasfêmias contra o Coração de Maria.
  • Procurar consolá-la pela nossa fidelidade a Maria.
  • Entronizar a imagem do Coração de Maria na família.
  • Renovar cada dia a consagração mariana com alguma fórmula breve, como por exemplo: “Ó Maria, minha Mãe! Ao vosso Imaculado Coração me consagro inteiramente, com tudo o que sou e possuo. Protegei-me agora e sempre como vosso filho. Amém”.

ATO DE CONSAGRAÇÃO

Amabilíssima e admirabilíssima Virgem Maria, Mãe do meu Salvador Jesus Cristo e minha Mãe, prostrado aos vossos pés, unindo-me humildemente a todos os atos de devoção e amor de todos os corações que vos amam no Céu e na terra, Vos saúdo, Mãe queridíssima, Vos venero e Vos elejo hoje por minha Soberana e Rainha do meu coração, guia da minha vida, minha Protetora, minha Advogada e meu Refúgio em todas as minhas necessidades espirituais e corporais.

Eu Vos ofereço e consagro a minha alma, o meu coração, meu corpo e tudo o que me pertence. Desejo também que todos os meus pensamentos, palavras, ações, todos os alentos de respiração e batidas do meu coração sejam, no presente e no futuro, outros tantos atos de louvor da Santíssima Trindade por todos os privilégios e graças incomparáveis que Vos concedeu.

Ó Virgem amabilíssima! Entrego confiante em vossas mãos maternais todos os meus desejos e propósitos, e não quero nunca aspirar a algo mais além do que seja conforme com a Vontade do vosso Divino Filho e com a vossa.

Aceitai-me, Vos rogo, queridíssima Mãe, entre os vossos filhos prediletos e no número dos vossos servos escolhidos, privilegiados de poder colaborar na preparação do triunfo do vosso Coração Imaculado. Considerai-me e tratai-me inteiramente como vossa propriedade.

Disponde de mim e conduzi-me sempre e em todo lugar, não segundo as minhas próprias inclinações e desejos, mas segundo o vosso beneplácito.

Eu, por minha parte, tomo hoje o firme propósito de observar fielmente os mandamentos do vosso Divino Filho Jesus, de seguir as vossas maternais exortações, ó Rainha do Santo Rosário, de vos amar ternamente de vos consolar. Quero também, enquanto me for possível, pelas minhas orações e sacrifícios levar muitas almas a fazer o mesmo.

Sobretudo, quero venerar com especial devoção o vosso Puríssimo Coração, ardente de caridade, e com a vossa poderosa assistência, ó Mediadora de todas as graças, tratar de imitar tanto como eu puder as sublimes virtudes que vos adornaram aqui na terra.

Ó, Rainha do meu coração, que pelo misterioso obrar do Espírito Santo na vossa alma santíssima fostes transformada num verdadeiro Espelho de Justiça de Jesus, vosso Divino Filho; gravai no meu coração, vos imploro, uma imagem perfeita das virtudes do vosso, a fim de que o meu coração seja um retrato vivo do vosso Imaculado.

Ó, Virgem gloriosa, vosso Puríssimo Coração esteve durante a sua existência aqui na terra estreitamente unido ao Divino Coração do vosso Filho, compartindo plenamente os seus nobilíssimos sentimentos e o seu espírito de sacrifício; e agora, elevado à bem-aventurança do Céu, está perenemente unido a Ele de modo inigualável, na mais sublime felicidade. Por isso vos rogo, ó Mãe de Deus, uni o meu pobre coração de tal maneira ao do meu Jesus que não abrigue outros sentimentos e desejos senão os vossos, e que não faça nunca senão o que for mais agradável ao seu Sacratíssimo Coração e ao vosso Dulcíssimo Coração Imaculado, ó Mãe benigníssima. Amém.

Consagração da família

A sociedade e a Igreja serão o que forem as famílias. Pio XII afirmava: “O nosso pensamento se dirige igualmente às famílias católicas, para exortá-las insistentemente para que se mantenham fiéis à sua insubstituível missão na sociedade. Que se consagrem ao Imaculado Coração de Maria. Este ato de piedade será para os esposos uma ajuda espiritual preciosa na prática dos deveres de castidade e de fidelidade conjugais; conservará na sua pureza a atmosfera do lar no qual crescem os filhos; e mais ainda, fará da família, vivificada pela sua devoção mariana, uma célula viva da regeneração social e da penetração apostólica”.

Preparação:

  • Rezar em família a novena, que terminará no mesmo dia da consagração.
  • Procurar confessar-se nesses dias.
  • Assistir à Missa e comungar no mesmo dia da consagração.

Cerimônia:

  • Colocada no lugar principal da casa uma imagem ou quadro do Imaculado Coração de Maria, se rezará diante dela o Santo Terço, depois do qual o pai de família pronunciará o ato de consagração em nome de todos.
  • Uma vez terminado, o sacerdote dará a sua benção.

Cada mês, no dia do aniversário da consagração:

  • Colocar-se-á nesse dia a imagem ou quadro da Virgem Maria num lugar privilegiado, com flores e uma vela.
  • Quando for possível, toda a família reunida reze as Saudações a Nossa Senhora (cf. índice).

Cada ano, no dia do aniversário da consagração:

  • Renovar-se-á o ato de consagração, depois das Saudações a Nossa Senhora.

ATO DE CONSAGRAÇÃO

Ó Maria, Virgem poderosa e Mãe de misericórdia, Rainha do Céu e Refúgio dos pecadores! Esta família se põe de joelhos hoje diante de Vós para consagrar-se ao vosso Imaculado Coração. Nós Vos consagramos o nosso ser e toda a nossa vida, tudo o que temos, o que amamos, o que somos. Vossos são os nossos corpos, os nossos corações, as nossas almas; vosso seja o nosso lar, a nossa família, a nossa pátria…; escolhemos-Vos hoje por nossa Soberana e por Rainha dos nossos corações, nossa queridíssima Mãe, Guia da nossa vida, nossa Protetora e Advogada, e o Refúgio em todas as nossas necessidades, tanto espirituais como corporais. Depositamos nas vossas mãos todos os nossos desígnios, projetos e interesses, e não queremos ter outros que não sejam os do vosso Filho e os vossos. Queremos colocar o vosso Imaculado Coração no centro deste lar, de maneira que tudo o que há em nós e a nossa volta vos pertença e participe das vossas bênçãos maternais. E para que esta consagração seja verdadeiramente eficaz e duradoura, renovamos hoje aos vossos pés, ó Maria, as promessas do batismo. E, em meio desta aflição que padece a nossa Mãe a Igreja e a sacode como a barca na pior das tempestades, nos obrigamos a professar sempre com valor as verdades da fé e a viver como verdadeiros católicos, defendendo a Tradição no seu secular Magistério e trabalhando em particular pela restauração do Santo Sacrifício da Missa. Nós vos prometemos finalmente, ó gloriosa Mãe de Deus e terna Mãe dos homens, consagrar todo o nossa coração ao serviço do vosso culto bendito, para pedir e assegurar, mediante o reinado do vosso Imaculado Coração, o reinado do Coração adorável do vosso Filho nas nossas almas e na de todos os homens, na nossa querida Pátria e em todo o mundo, assim na terra como no Céu. Amém.

Consagração das instituições

Convém que a precedam algumas instruções, a fim de que os alunos, os sócios, os trabalhadores, etc., façam a consagração conscientes do seu alcance com toda a sinceridade.

Pode usar-se a seguinte fórmula, mudando as palavras por outras mais apropriadas ao caráter da instituição.

Cerimônia:

  • Colocada no lugar principal da instituição uma imagem ou quadro do Imaculado Coração de Maria, se rezará diante dela o Santo Terço, depois do qual, o diretor ou presidente pronunciará o ato de consagração em nome de todos.
  • Uma vez terminado, o sacerdote presente dará a sua benção.

ATO DE CONSAGRAÇÃO

Ó Coração Imaculado de Maria, Coração da nossa Rainha e da nossa Mãe, vede aqui reunidos aos que formamos esta [aqui se menciona: paróquia, diocese, estado, colégio, fábrica, empresa…]; desejosos de mostrar-vos o nosso amor filial e de prestar-vos o tributo da nossa servidão.

Viemos oferecer-vos todo o nosso ser, com alma e corpo, potências e sentidos, as nossas vidas com as suas alegrias e penas, tudo quanto possuímos, tudo quanto somos, tudo quanto amamos.

Ó Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Mãe dos homens, ao vosso Coração Imaculado nos consagramos. Recebei-nos como filhos vossos.Que o vosso Coração seja o nosso refúgio na vida e o caminho que nos leve a Deus.

Fazei que reine nesta […] o espírito da vossa casa de Nazaré: a obediência e o trabalho, a pureza e a piedade, a paz e o amor até o sacrifício.

(Aqui o diretor ou presidente coloca a imagem ou quadro do Coração de Maria no lugar que lhe está reservado).

Desde este momento haveis sido constituída Rainha e Mãe desta […]. A vossa sagrada imagem, ó Coração Imaculado, ocupará um lugar de honra nesta […], desde onde velareis pelo nosso bem espiritual e temporal, escutareis as nossas orações e nos consolareis nas penas e nas tribulações desta vida, e particularmente na hora da morte.

Nós, por nossa parte, procuraremos viver catolicamente, cumprindo os nossos deveres religiosos de respeito a Deus e os deveres de caridade de respeito ao próximo.

Fazei, Senhora e Mãe nossa, que junto com o vosso reinado, entre nesta […] o reinado do Sagrado Coração de Jesus, a fim de que, vivendo sinceramente consagrados ao vosso amor e serviço, mereçamos um dia a glória eterna. Amém.

Novena ao Coração Imaculado de Maria

Pelo sinal + da Santa Cruz, livre-nos, Deus, + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos. Em nome do Pai e do Filho + e do Espírito Santo. Amém.

ORAÇÃO PREPARATÓRIA

Meu Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, meu Criador e Redentor, que por amor aos homens tomastes a natureza humana, escolhendo por Mãe a Puríssima, Imaculada e sempre Virgem Maria, e dispondo o seu Coração com todo gênero de perfeições, para que do seu sangue precioso se formasse essa Humanidade santíssima em que padecestes a mais afrontosa das mortes para fazer-nos viver da vossa graça e assim livrar-nos da servidão do demônio e do pecado: eu vos amo, meu Deus, com todas as minhas forças, sobre todas as coisas, por esta bondade que a nós mostrastes, e me pesa por ter-vos ofendido. Espero que, pelos méritos do vosso preciosíssimo Sangue e do Coração sacratíssimo da vossa Mãe, me concedereis a graça que necessito para bem fazer esta novena, a fim de amar-vos e vos ser fiel até o fim. Amem.

Primeiro dia

A Grandeza do Coração de Maria

Ó, Coração de Maria, cuja grandeza o universo admira! Fazei-nos igualmente grandes de coração e alcançai-nos virtude, Mãe querida, para esquecer todo tipo de injúrias, e ser tudo para todos, a fim de ganhá-los para Jesus Cristo.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Segundo dia

A Amabilidade do Coração de Maria

Ó Maria, ó nossa Mãe! Vós tendes um Coração digno de amor, porque dominastes com toda perfeição as paixões: alcançai-nos fortaleza para sobrepor-nos a elas, e para lembrar e guardar sempre a lei da caridade, com a qual seremos também imagem da vossa doçura.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Terceiro dia

A Compaixão do Coração de Maria

Mãe cheia de compaixão, fazei-nos compassivos! O vosso Coração não pode ver a dor e a miséria sem comover-se; acendei o nosso coração na mais ardente caridade, que nos mova a remediar as necessidades espirituais e temporais, tanto próprias e como as do nosso próximo.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Quarto dia

O Fervor do Coração de Maria

Amabilíssima Mãe! Vós obrastes sempre com o maior fervor; e vós conheceis a minha frouxidão, preguiça e apatia, com as quais não posso agradar a Deus, a quem a tibieza produz náuseas. Eu acudo, minha Mãe, a Vós, para que me tireis da tão miserável estado. Assim como comunicastes o vosso fervor a Santa Isabel e a São João Batista, concedei-me a mesma graça.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Quinto dia

A Pureza do Coração de Maria

Minha Santíssima Mãe! Vós, incomparavelmente mais que nenhuma outra criatura, fostes limpa de coração; Vós resplandeceis mais em pureza que todos os justos e anjos; Vós, pela beleza do vosso Coração, agradastes o Altíssimo e o atraístes ao vosso seio. Alcançai-nos, Senhora, essa pureza de coração; rogai por nós para que saibamos vencer as nossas más inclinações e viver no candor com que fostes adornada a fim de que possamos ver a Deus e morar com Ele eternamente.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Sexto dia

A Mansidão do Coração de Maria

Virgem soberana, Rainha e Mãe cheia de mansidão! O vosso Coração mansíssimo repreende o nosso tão imortificado: queremos vos imitar; desde hoje nos propomos reprimir os movimentos da ira e praticar a mansidão. Alcançai-nos, Senhora, a graça que para isso necessitamos.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Sétimo dia

A Humildade do Coração de Maria

Ó Virgem humilíssima! Vós sois Senhora, e vos chamais escrava; Vós sois eleita para o lugar mais distinguido, e buscais o último; Vós conheceis o mérito da humildade, e por isso a enraizais profundamente: alcançai-me esses sentimentos de humildade dos que Vós estais animada; fazei que vos imite nesta humildade de coração de que me dais tão brilhante exemplo.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Oitavo dia

A Fortaleza do Coração de Maria

Minha Mãe! Vós conheceis a minha covardia e debilidade, que por desgraça me acompanharam quase sempre: pela admirável fortaleza que tanto vos distinguiu, rogo-vos que infundais no meu coração a fortaleza necessária para confessar a fé, para guardar a santa Lei de Deus e para prescindir de todo respeito humano na prática das virtudes.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Nono dia

A Paciência do Coração de Maria

Mãe sempre paciente! Pela multidão e veemência das vossas dores, vos suplicamos que nos alcanceis a paciência e a resignação que necessitamos para sofrer com mérito as amarguras e penalidades que nos afligem. Senhora, a paciência nos é necessária. Vós nos destes o exemplo mais admirável dela: intercedei por nós para que saibamos vos imitar.

Depois se reza uma dezena do Terço.

Oração final

Ó, Coração dulcíssimo de Maria, de quem recebi continuamente tantas graças, tantos benefícios e favores! Eu vos venero e vos dou graças, e com ternura de filho vos estreito contra o meu pobre coração. Permiti-me, minha Mãe, que com toda a confiança o entregue a vós; santificai-o com a vossa benção e trocai-o em um belo jardim onde possa recrear-se o vosso Santíssimo Filho. Amém.

Saudações a Nossa Senhora

1. Saúdo-vos, Coração santíssimo de Maria, com o coro dos Serafins, e vos suplico que me alcanceis um coração verdadeiramente grande para amar e servir a Deus e para fazer o bem a todos os homens. Ave Maria.

2. Saúdo-vos, puríssimo Coração de Maria, com os Querubins e vos rogo que me alcanceis uma caridade cheia de amabilidade. Ave Maria.

3. Saúdo-vos, perfeitíssimo Coração de Maria, com o coro dos Tronos, confiando que me obtereis a graça de ser compassivo de coração. Ave Maria.

4. Saúdo-vos, Coração amantíssimo de Maria, com o coro das Dominações, suplicando que me concedais o verdadeiro fervor. Ave Maria.

5. Saúdo-vos, Coração retíssimo de Maria, com o coro das Virtudes, esperando que me concedereis a pureza de coração. Ave Maria.

6. Saúdo-vos, Coração fidelíssimo de Maria, com o coro das Potestades, e vos rogo que me alcanceis a mansidão. Ave Maria.

7. Saúdo-vos, Coração clementíssimo de Maria, com o coro dos Principados, esperando que me ajudareis a ser humilde de coração. Ave Maria.

8. Saúdo-vos, Coração piedosíssimo de Maria, com o coro dos Arcanjos, confiando que me alcançareis fortaleza para cumprir sempre a santa Lei de Deus. Ave Maria.

9. Saúdo-vos, Coração prudentíssimo de Maria, com o coro dos Anjos, suplicando que me alcanceis a paciência e a resignação nos trabalhos e sofrimentos. Ave Maria.

 

Devoções Cordimarianas

O Escapulário do Carmo

Em várias aparições a Rainha do Céu concedeu duas importantes graças a quem levasse sobre si o seu santo escapulário. A primeira consiste na perseverança final e a preservação do inferno. O segundo privilégio, chamado também sabatino, consiste na rápida liberação das penas do purgatório, crendo-se que tem lugar no sábado seguinte ao dia da morte.Para alcançar este segundo privilégio, além de morrer com o escapulário, é preciso guardar a castidade segundo o próprio estado, rezar o Ofício Parvo da Santíssima Virgem e guardar os jejuns estabelecidos pela Igreja. A condição do Ofício Parvo pode ser trocada por outras obras pias por qualquer sacerdote que tenha os poderes necessários (por exemplo, pela oração diária de uma parte do Terço).  É preciso a imposição por um sacerdote autorizado.Se mais tarde se perde ou se gasta, pode ser substituído por outro, sem necessidade de benzê-lo; valem igualmente as chamadas medalhas-escapulário (desde que tenham sido benzidas), ou seja, as que têm em um dos lados a imagem do Sagrado Coração e no outro uma imagem de qualquer invocação da Virgem Maria.

Com razão, pois, se diz que o escapulário do Carmo é sinal seguro de salvação, expressão que, no entanto, deve ser entendida retamente: de fato não valeria levar o escapulário e entregar-se a uma vida desordenada confiando na promessa que se refere, naturalmente, àqueles que com boa vontade honram a Virgem Maria vestindo o seu distintivo e procurando cumprir com as suas obrigações de católicos.

Pio XII exortou a levar o escapulário do Carmo “como expressão da Consagração ao Coração Imaculado de Maria”. De fato, as aparições de Fátima revestiram o escapulário do Carmo com uma nova importância: “No dia 13 de setembro de 1917, a Virgem de Fátima tinha anunciado aos três videntes a vinda de Nossa Senhora do Carmo no mês seguinte. No dia 13 de outubro, no momento do encerramento do ciclo das aparições, quando a conversação da Lúcia com Nossa Senhora do Rosário tinha terminado, enquanto a multidão contemplava o grandioso milagre solar, os três pastorzinhos tiveram várias visões. Foi-lhes dado admirar no mesmo Céu três quadros sucessivos, o último dos quais foi o de Nossa Senhora do Monte Carmelo lembrando os mistérios gloriosos do Santo Rosário. Nessa mesma tarde, Lúcia relatará a sua visão ao Cônego Formigão: Ao final, a Virgem se apresentou: “pareceu-me Nossa Senhora do Carmo”.

Se a Virgem sustentava o escapulário em suas mãos, era para animá-los a levá-lo, assim como nas aparições anteriores a presença do Terço tinha manifestado claramente os desejos do seu Coração. O Escapulário e o Terço são inseparáveis.

O Escapulário Verde

O Escapulário Verde foi dado à irmã Faustina Bisqueyburu, religiosa das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paula.

No dia 8 de setembro de 1840, a Mãe de Deus lhe apareceu durante a oração: tinha na mão direita um coração em chamas e na esquerda, um pequeno escapulário de tecido verde. Em um dos lados estava a imagem da Santíssima Virgem; no outro, um coração inflamado de raios mais brilhantes que o sol e transparentes como cristal, segundo as próprias descrições da vidente, o qual estava transpassado por uma espada. Ao redor, havia uma inscrição em forma ovalada, coroada por uma cruz dourada e que dizia o seguinte: “Coração Imaculado de Maria, rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Ao mesmo tempo uma voz interior lhe explicava o sentido: compreendeu que esta imagem devia contribuir para a conversão de muitas almas, particularmente no momento em que tudo pareceria perdido, para assegurar assim uma boa morte.

A própria Mãe de Deus disse à irmã Faustina que podia ser bento, com o sinal da Cruz, por qualquer sacerdote e depois qualquer pessoa o poderia distribuir. Pode-se levá-lo pendurado ao pescoço, na carteira, ou no bolso… No caso dos pecadores ou doentes que não o aceitam, se pode deixar o escapulário, ainda que eles não o saibam, na sua roupa, na sua cama ou no seu quarto.

A única obrigação é de dizer uma vez por dia: “Coração Imaculado de Maria, rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Se esta jaculatória não for dita pela pessoa o traz, é necessário que alguém a diga por ela.

Muitas e extraordinárias conversões, mesmo de casos desesperados, estão unidas a esta devoção, mas estas graças são maiores ou menores conforme o grau de confiança que a acompanham, simbolizadas pelos raios desiguais que rodeavam o Coração.

A Medalha Milagrosa

Foi revelada à Santa Catarina Labouré, então noviça na Casa Mãe das Filhas da caridade, em Paris: “No dia 27 de novembro de 1830, véspera do primeiro Domingo do Advento, às cinco e meia da tarde, em meio do profundo silêncio da meditação, ouvi do lado direito do altar como um ruído de tecidos que se roçam, e imediatamente vi a Santíssima Virgem junto ao quadro de São José… As suas mãos, levantadas à altura do peito, sustentavam um globo que representa o mundo, como assim o manifestou a Senhora. Aqui já não sei descrever a esplêndida beleza nem o brilho que tomavam os raios luminosos – que saíam das suas mãos –, quando a Virgem lhe disse: Estes raios são figura das graças que derramo sobre as pessoas que imploram os meus favores. Assim me fazia compreender quão generosa é com as pessoas que a Ela se dirigem. Quantas graças concede aos que lhe pedem-nas! De repente, a aparição tomou uma forma oval, em cuja parte superior se desenhou esta inscrição em letras de ouro: Ó Maria concebida sem pecado original, rogai por nós que recorremos a Vós”. A noviça pode ouvir com claridade: “Faz acunhar uma medalha segundo este modelo. Quantos piedosamente a levarem, receberão graças particularíssimas, sobretudo se a levam penduradas no pescoço. As graças serão muito abundantes para todos os que a levarem animados de confiança”.

Continua Santa Catarina: “Um instante depois, a imagem girou, deixando ver no reverso a letra M, sobre a qual se levantava uma cruz que descansava em uma barra horizontal, e debaixo, os Sagrados Corações de Jesus e de Maria; o primeiro rodeado de uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada”.

Difundida pelas próprias Filhas da Caridade e por piedosos e entusiastas sacerdotes, sobretudo nos hospitais, clínicas, sanatórios e inclusive nas mesmas frentes de batalha, rapidamente alcançou uma popularidade e estima extraordinárias. Os frutos da sua devoção eram visíveis: conversão de pecadores, ateus e pagãos, volta à intensidade de fé de muitas almas tíbias…Tudo isto enquanto ao espírito, pois enquanto ao corpo e ao material, os favores se multiplicavam igualmente: cura de doenças, aproximação de famílias distanciadas, abandono de vícios, preservação de acidentes, etc. De aí o nome de “milagrosa”.

Medalha do Coração de Maria

Aparece o busto da Virgem Maria com o Coração visível, símbolo externo do amor e proteção especiais da Virgem, ao mesmo tempo em que indica a nossa entrega e desejo de cumprir em tudo com a sua vontade.

Insígnia da Cruzada

Receberá a insígnia quem se comprometer como Cruzado cordimariano desde o momento do seu ingresso. Ela apresenta o Coração de Maria rodeado de espinhos, como se apresentou a Virgem Maria às três crianças: “Abriu as mãos e nos comunicou o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus (…) À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

Com os cinco raios se quer recordar os cinco primeiros sábados do mês como meio de reparar pelas ofensas e blasfêmias contra o Coração Imaculado de Maria.

Ao seu redor se pode ler o lema: Cruzada Cordimariana, Ave Cor Mariae. Esta pequena jaculatória se apresenta como a saudação própria dos seus filhos e como uma ocasião de louvar o Coração de Maria e confiar-nos à sua proteção.

Não deixe de levá-la com um santo orgulho, sabendo fazer dela um verdadeiro meio de apostolado.

Coração Imaculado de Maria,

rogai por nós